Tantas são as tentações, desde as mais inocentes até as perigosas e suspeitas até para serem comentadas, as minhas eu as conheço bem eu acho, sei lá, sentimentos e valores mudam rapidamente ainda mais na maturidade. Uma delas:
AO BAR.
Bem disse Vinícius de Moraes, grande expert neste território: - nunca vi amizade começar em padaria ou leiteria. De fato não só a amizade nasce lá no bar ou no botequim como é lá que é também mantida, conservada e respeitada, e onde geralmente os presentes se acham no direito de falar mal dos ausentes. Amizades mantidas e conservadas em redomas próprias. Algumas perto mesmo de serem consideradas confrarias.
Também vale dizer que o mesmo bar já acabou com muito casamento ou iniciou o seu declínio. - Cansei de passar as noites sozinha: - Para mim chega, comenta alguém em casa insatisfeita.
Sobre este bar, daria pra se escrever quilômetros. E os barracos gerados lá, nego que apanha da mulher, as mais doidas coisas confessadas e depois o arrependimento de tê-las dito. Os contos do metido a gostosão, o come todo mundo naquele mesmo de sempre, ele não sabendo o quanto é desmentido por elas. São tantas as figuras, a fauna de um circo...
Numa época num bar ali na Rua dos Andradas esquina com a Vitória se reunia, como eu, os empresários da Santa Ifigênia, coisa de maluco a fauna, a verdadeira democracia, olha a lista: os que tinham acabado de trabalhar: Empresários, gerentes, Delegados, cafetões, e os que iriam entrar no trabalho:- travestis, bonecas, prostitutas... Tudo num mesmo ambiente e no maior respeito, aliás, tínhamos um amigo, que se auto chamava empresário do sexo, na realidade ele tinha um hotel na Andradas e era de Travestis que ele orgulhosamente tratava como funcionários, de fato ele registrava todos, o gozado é que ele promovia as reuniões de trabalho ali no bar ... Era discutido em planilhas o aumento do faturamento, performances, e como em toda multinacional o prazer do atendimento e prazer do cliente..., não posso dizer o nome dele por razões óbvias, era português e de uma família extremamente católica... A mãe toda Quarta nos convidava para comer uma bacalhoada na mansão deles ali na Lapa, ela fervorosa católica achava que o filho era empresário de eletrônicos. Ela logo em seguida morre sem nunca ter descoberto a verdade. O sério é que no enterro toda fauna estava lá, travestis, transformistas todas a rigor e muito emocionadas, foi um show á parte.
Coisas da modernidade, antigamente a mulher cozinhava igual à mãe, hoje bebe igual ou mais que o pai. Perdemos o privilégio e a exclusividade de ultrapassar os limites alcoólicos, a mulher ta bebendo se não igual, mais. Como todo o bar é um país democrático que elas sejam bem–vidas. Lembra-se da Dona Esponja?- doze ampolas de cervejas sem usar o toalete, um recorde. E tome banheiro que no caso dos bares a gente não sabe se é a gente que mixa nele ou ele na gente, também dependendo do horário ou teor de álcool não faz diferença, e vale usarmos os das mulheres e elas vice-versa.
Numa determinada mesa descobre-se uma mulher casada pela terceira vez e pasmem ainda virgem! Todos duvidam e ela então decide falar: o primeiro casamento ela ainda jovem e no caminho para a lua de mel há um acidente e o jovem marido morre, no segundo casamento já com um senhor, no quarto do hotel ele sofre um infarto e morre já o terceiro casamento foi com um consultor da IBM (aqui uma homenagem aos amigos da IBM), ele todo metido a especialista diz para ela que entende e sabe tudo sobre sexo, que podia deixar tudo em suas mãos, um desastre total, o cara morreu tentando e ela continuou virgem...
Numa determinada mesa descobre-se uma mulher casada pela terceira vez e pasmem ainda virgem! Todos duvidam e ela então decide falar: o primeiro casamento ela ainda jovem e no caminho para a lua de mel há um acidente e o jovem marido morre, no segundo casamento já com um senhor, no quarto do hotel ele sofre um infarto e morre já o terceiro casamento foi com um consultor da IBM (aqui uma homenagem aos amigos da IBM), ele todo metido a especialista diz para ela que entende e sabe tudo sobre sexo, que podia deixar tudo em suas mãos, um desastre total, o cara morreu tentando e ela continuou virgem...
Outro dia li que as mulheres não dominaram o mundo ainda porque não decidiram qual a melhor roupa para a ocasião, concordo,é por aí !
Muitas mulheres odeiam os bares, muita tem ciúmes como estivessem sendo trocadas por outra mulher. Outras adoram, as que geralmente só passam a gostar do marido depois da terceira dose de uísque dele ou às vezes dela.
Tabus e acordos na base da cumplicidade na ética, respeita-se as mulheres dos presentes e esculhambam-se a mulher dos outros. Temos nós brasileiros a mania de “sussurrar os elogios e de berrar os defeitos.”
É há que casamentos, alguns já me fase terminal costumam ser discutidos e pode ter a certeza que todos passam a detestar e a culpar a desgraçada da mulher. Dependendo do teor alcoólico automaticamente algumas candidatas á vaga da já falecida são eleitas e a lista feita.
Alguns não escondem o sorriso no rosto e ele detona: vocês não vão acreditar: - sabe com quem ando transando? –o interesse é geral e todos querem saber quem? -e ele baixando a voz sussurra: - com a minha mulher, - ele completa:- isso não é normal !. Leva nota zero na hora, na opinião geral, comer a própria mulher não vale. Se for a ex., aí então fu.... de vez, vai pro chuveiro mais cedo! Vaiado por todos, inclusive pelo garçom.
Vocês conhecem muitos casais felizes?.Pergunta difícil, dizem que a coabitação impede a felicidade, pode ser. Normalmente vive-se junto numa relação de arestas e não muito de afinidades.....daí que muitas vezes ele ou ela adoram o happy hour , que muitos se enganam pensando que só acontece ás Sextas,..tem situações que é quase todo dia...é a esperança de encontrar o outro já dormindo, evita-se o encontro ou pior, o desencontro.
O carioca vem a São Paulo á negócios e vai almoçar com empresários amigos, o restaurante lotado, a certa altura ele vai ao banheiro e ao voltar encontra o lugar praticamente vazio, - ele chama o garçom e pergunta:- cadê o pessoal que tava aqui? - e o garçom se vira e pergunta, o Dr. é do Rio? -sou por quê? -é que aqui trabalha-se viu?: -mais um uísque Dr.?
Já o empresário Paulista, empresário, vai almoçar num restaurante relativamente simples por indicação do amigo carioca (neste caso o Sérgio Cabral, o Pai, quem foi que comentou este encontro). Eles sentam-se e chega o garçom, dá uma tapa nas costas dele e pergunta e aí Dr. o que é que nós vamos comer hoje... podemos começar com um chopinho, e de entrada umas batatinhas fritas com um arroszinho, eu também gosto de um filezinho bem ao ponto com bastante alhinho ou porque não um franguinho cozido, como sobremesa um pudimzinho e para fechar um cafezinho, Certo? – e o empresário espantadíssimo diz: - meu amigo em primeiro lugar quem vai comer aqui sou eu, você vai apenas me servir e, por favor, me traga o cardápio, eu decido o que vou comer (ele também não estava num bom dia.). O garçom entendeu, e disparou pensando e generalizando: - que Paulista besta, tava querendo ajudar. Nada mais carioca, brasileiro, nada mais classe media que o diminutivo.
Um dia um amigo chega e me encontra já no terceiro uísque, ele bastante nervoso puxa de um revolver. e me pergunta me apontando a arma: você tem medo de morrer? Eu pensei, meu Deus ele vai me matar. Ahí então ele coloca a arma contra o rosto e diz vou me matar, - bom nesse caso não sendo eu o futuro morto ficou fácil o dialogo, então digo: - por favor, não faça isso, vamos conversar, e ele: -sinto muito, mas não dá e atira .... não é que o filho da puta errou e acabou acertando a prateleira atrás do bar cheio de bebidas ... sem contar que todo mundo tinha se jogado no chão, alguns em baixo das cadeiras, até o papagaio caiu do poleiro com perda de algumas penas, o vira-latas do bar saiu ganindo em disparada pra rua e todos ainda deitados na maior expectativa, alguns inclusive torcendo pelo segundo tiro que para espanto geral não veio. Ainda deu tempo de o ver sair gritando ...eu te perdôo meu amor, eu te perdôo .... - descobriu-se depois que tinha sido traído, e o tiro que ele não se acertou o fez repensar e decidiu então perdoar a mulher traidora. Ah, o amor tem dessas coisas. Quando o coração nas mãos se estreita, ele dita que há uma distancia entre a intenção e o gesto e mesmo depois de feito, desencontrado... contesta. Quase dancei nessa!!
Não devia, mas sendo cruel, eu acho que começamos a envelhecer quando paramos de freqüentar os amigos, o bar, inclusive e principalmente o que temos em casa. Trocar o bate papo mesmo o fútil como é comum no bar, pelo sofá, pelo pijama de bolinhas e pior, pelo Faustão é o início do fim, o show parece que vai terminar. O estoque de piadas acaba e você mesmo começa a se achar um chato, e tua mulher não acostumada, começa a torcer por você voltar para o bar.
Coitada, ela agora vai ter que te aturar...
Um beijo,